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Novelas marcantes de Gilberto Braga

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Ao adaptar o romance sobre escravidão escrito por Bernardo Guimarães em 1875, Gilberto alcançou grande sucesso e a novela tornou-se a mais exportada pela Globo

Ao adaptar o romance sobre escravidão escrito por Bernardo Guimarães em 1875, Gilberto alcançou grande sucesso e a novela tornou-se a mais exportada pela Globo

Foto: Divulgação / Memória Globo

Ao adaptar o romance sobre escravidão escrito por Bernardo Guimarães em 1875, Gilberto alcançou grande sucesso e a novela tornou-se a mais exportada pela Globo
O autor conseguiu fazer um paralelo entre a escravidão mostrada na trama e o regime militar que na época ainda vigorava no Brasil
Ficou famoso, anos depois, o episódio real em que Gilberto foi chamado pela censura em Brasília e recebeu a ordem de não mencionar mais a palavra "escravo" no texto da novela
Lançada no auge da febre da disco music que assolava o mundo, a novela foi o grande impulso para que o Brasil se rendesse de vez à discoteca
Ao retratar o universo da noite carioca e das modas pop (roupas, esportes como vôo livre, e até as drogas), a novela fez um relevante retrato do país num momento em que a ditadura começava a agonizar
Por tudo isso, a novela entrou para a história como uma obra que acompanhou a liberação sexual e de costumes que explodia naquele final dos anos 70
Abrindo os anos 80, Gilberto voltava a discutir temas sociais e de costumes
Aqui, entrou na pauta o top less nas praias cariocas, através das personagens de Tônia Carrero, Maria Padilha e Maria Zilda
E novamente a questão das drogas recreativas (maconha), envolvendo sutilmente a turma jovem que dividia um apartamento
O maconheiro de plantão era Alfredo (Fernando Eiras)
A novela não agradou, mas sua importância vem de um pioneirismo: pela primeira vez se falava (ainda que disfarçadamente) sobre um personagem homossexual não-afeminado
Era Inácio (Dênis Carvalho), gay enrustido dominado pela mãe Chica Newman (Fernanda Montenegro), que o obrigava a se casar com uma mulher
Ao final, Inácio teve um final feliz ao lado de um namorado (vivido por Buza Ferraz)
A minissérie ambientada nos anos 50 mostrou toda a repressão sexual que imperava na época e os preconceitos sociais
O romance entre os jovens Marcos (Felipe Camargo) e Lurdinha (Malu Mader) era impedido pelos pais dela, conservadores e castradores
O motivo maior: Marcos era filho da "desquitada" Glória (Betty Faria), mulher mal falada por ser independente, separada do marido e trabalhando como caixa de boate
A obra-prima de Gilberto (escrita junto com Aguinaldo Silva e Leonor Básseres) é considerada por muitos como a melhor novela de todos os tempos
Vale a pena ser honesto no Brasil? Esse era o mote da trama, mostrando a rivalidade de Raquel (Regina Duarte), a honesta, e sua filha Maria de Fátima (Glória Pires), ambiciosa, inescrupulosa e mau-caráter
A novela retratou o país, a corrupção, o "jeitinho brasileiro" e os crimes do colarinho branco, encerrando com a famosa "banana" que o corrupto Marco Aurélio (Reginaldo Faria) deu ao fugir do Brasil
De quebra, a novela trouxe o primeiro casal lésbico assumido da TV, Laís e Cecília (vividas por Cristina Prochaska e Lala Deheizelin)
No ar em reprise no Viva, a novela inovou ao trazer como protagonista um vilão: o sedutor canalha Felipe Barreto (Antônio Fagundes), capaz de tudo para seduzir a virgem Márcia (Malu Mader)
O vilão era um retrato da esnobe e egocêntrica classe rica do país, simbolizada ainda por personagens como Constância (Nathalia Timberg) e Karen (Maria Padilha), vivendo a ressaca do Plano Collor de 1990
O fracasso da novela mostrou que o público era muito mais conservador e falso moralista do que o autor supunha
A minissérie retratou o período 1964-1979, o auge da ditadura militar no Brasil. Pela primeira vez a TV revelou os bastidores do regime, com torturas, assassinatos e arbitrariedades
Coincidência ou não, a minissérie foi ao ar em pleno momento de crise do governo Collor. Tudo se misturou, e o movimento dos Caras Pintadas surgiu ao mesmo tempo
A série terminou em agosto de 1992, e um mês depois Collor sofreu o impeachment e foi retirado do governo. Curiosamente, a estreia de "Babilônia" chega num momento em que a palavra impeachment volta a ser pronunciada...
A novela retratou personagens que viviam no auto-exílio, e tinham deixado o Brasil para ganhar a vida no estrangeiro, como Pedro (José Mayer)
Novamente vinha à tona o tema da corrupção e da impunidade, através do empresário cruel Raul Pellegrini (Tarcísio Meira) e suas ações arbitrárias e desumanas
Sua neta, a jovem estudante Alice (Cláudia Abreu), torna-se seu obstáculo ao liderar movimentos sociais contra o empresário, que além de tudo era racista
A novela retratou o desvairado universo da fama a qualquer preço. A protagonista Maria Clara (Malu Mader) sofria os ataques da transtornada vilã Laura (Cláudia Abreu), que queria tomar o império construído pela primeira
Ao redor dessa trama, montou-se um mosaico que criticava os realities shows da TV, as revistas de fofocas sobre famosos, os paparazzi, as "esposas" e "viúvas" dos famosos...
...e as jovens aspirantes a atriz-modelo-manequim-ex-BBB (simbolizadas pelas manicures vividas por Juliana Paes e Deborah Secco)
A novela tinha o casal gay Rodrigo (Carlos Casagrande) e Tiago (Sérgio Abreu). Apesar de acusado de "frio" e "sem paixão", o casal cumpriu a função de representar personagens gays que não tinham conflitos com suas sexualidades
A novela tinha um verdadeiro exército de personagens gays: Roni (Leonardo Miggiorin, à direita), Eduardo (Rodrigo Andrade), Hugo (Marcos Damigo), Xicão (Wendel Bendelack, centro), Nelson (Edson Fieschi), Gilvan (Miguel Roncato) e Araci (Cristiana Oliveira)
Gilvan foi assassinado por uma gangue homofóbica, o que deu margem para a novela discutir a questão da necessidade das leis anti-homofobia
A personagem de Louise Cardoso (centro) tinha uma barraca na praia, identificada como point gay friendly
O homofóbico Kleber (Cássio Gabus Mendes) se regenerou no final, aceitando o casamento do filho Eduardo - que se uniu a Hugo em cerimônia civil
A nova novela parece retomar os temas polêmicos e sociais que Gilberto gosta de desenvolver. De cara, há o casal lésbico vivido por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg
As duas criaram o neto de uma delas (vivido por Chay Suede), e o rapaz sofrerá preconceito por ter sido criado por duas lésbicas
Haverá ainda um casal gay masculino, formado por Marcos Pasquim e Marcelo Mello Jr.
Sem falar na tríade de mulheres protagonistas (Glória Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga). As duas primeiras serão as vilãs ensandecidas e inescrupulosas, resgatando a tradição de grandes vilãs das novelas de Gilberto; e a terceira é o resgate das mocinhas corajosas e lutadoras do autor, como Júlia (Sônia Braga) de "Dancin' Days" e Raquel de "Vale Tudo"