Uma psiquiatra assegurou nesta segunda-feira (12) que o atleta sul-africano Oscar Pistorius sofre de um transtorno de ansiedade desde a amputação de seus pernas, o que levou a Promotoria a pedir um exame psiquiátrico do acusado.



Assim declarou uma psiquiatra chamada pela defesa no julgamento que segue em Pretória contra o corredor, acusado de assassinar a tiros sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, em 14 de fevereiro do ano passado.


A psiquiatra Merryl Vorster explicou que Pistorius sofre de um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) pela perda de suas pernas, amputadas quando tinha 11 meses, pelo divórcio de seus pais e pela morte de sua mãe quando era adolescente.


Segundo sustentou a profissional, estes problemas de ansiedade poderiam ter influenciado em seu comportamento na madrugada em que o atleta matou sua namorada ao disparar através da porta do banheiro de sua casa pensando que era um ladrão, de acordo com a versão da defesa.


"Com elevados níveis de ansiedade, é possível perceber o entorno como ameaçante", testemunhou Merryl, que afirmou que esse transtorno pode fazer ver perigos onde não existem.


Perante o testemunho da psiquiatra, o promotor do caso, Gerrie Nel, destacou que o TAG é um transtorno mental e perguntou se alguém que sofre pode distinguir entre o bem e o mal.


Segundo sua opinião, esta circunstância seria decisiva para o veredicto, já que o transtorno poderia afetar a "responsabilidade" do acusado sobre seus atos e, por isso, pediu que Pistorius seja submetido a um exame psiquiátrico para conhecer seu estado mental.


"Apresentarei uma solicitação para que este tribunal ordene que o acusado se submeta a uma observação mental", disse Nel.


Merryl negou que o transtorno tenha afetado a capacidade de julgamento de Pistorius e neste mesmo sentido se manifestou o advogado da defesa, Barry Roux, que pediu à juíza que recuse o exame psiquiátrico.


A audiência foi adiada até amanhã com o pedido do promotor de mais tempo para preparar seu interrogatório da testemunha.


Caso a juíza admita sua solicitação de exame, Pistorious deve permanecer internado durante um mês em uma instituição mental, processo que prolongaria o julgamento.


A audiência contra Pistorius começou em 3 de março no Tribunal Superior de Pretória e está previsto que termine na próxima sexta-feira (16).


O promotor mantém que Pistorius matou intencionalmente Reeva Steenkamp - que então tinha 29 anos - após uma discussão que asseguram ter escutado vários vizinhos, e pede para ele a prisão perpétua.