Jake Bugg não estava no palco Interlagos do Lollapalooza para fazer amigos. Pouco antes das 19h, ele entra no palco de camiseta preta, pega seu violão, se dirige ao microfone e começa a tocar. Nenhuma palavra para os fãs que estavam gritando seu nome. O inglês não faz questão nenhuma de interagir com a platéia. O seu máximo foi um "thank you very, very much". O garoto emendava uma música na outra, não sorria, nenhuma palavra em português foi pronunciada, nada dos elogios que músicos internacionais gostam de derramar aos potes sobre o público brasileiro. Mas isso não prejudicou em nada o seu show.
Com 20 anos, Jake Bugg parece ser de uma espécie em extinção. Enquanto os caras de sua idade montam bandas de rock, ele mistura esse gênero com o country e o folk, tem uma voz vinda dos anos 1970, e uma atitude blasé que chega a ser irritante em alguns momentos — o que não o impediu de conquistar fãs durante a única hora em que ficou no palco. Se os fãs jovens estavam delirando, quem obviamente estava lá esperando o New Order dar as caras acabaram se rendendo ao inglês. Nos dez segundos que separavam uma música de outra, todos aplaudiam.
Bugg tem duas linhas. Na atmosfera folk, ele usa o violão e se aproveita de sua voz profunda para encantar a plateia, como quando ficou sozinho no palco para cantar Broken, de seu álbum de estreia. Mas quando é a guitarra que ele empunha, envoca o britpop que explodiu quando ele nasceu (vamos nos lembrar que Definitely Maybe, do Oasis, faz 20 anos em 2014, assim como o cantor) e contagia o público. Na última música do setlist, Lightning Bolt, que une as principais influências de Bugg, a plateia já estava completamente rendida: não tinha ninguém parado.
As oito horas em ponto, ele dá o último toque em sua guitarra. Fala "thank you very, very much" mais uma vez. Aplaude de mãos erguidas. Sai do palco. Jake Bugg é bom, sabe disso, e conquistou toda uma plateia com a simples eficiência do que é mais essencial em um show — a música.



