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Imagens dos 'gatilhos de memória' de jovens adultos

Foto 13 de 14

Esse sou eu, o escriba que tocou essa reportagem, com o Cachorrão, meu cão-almofada da marca Snif Snif. Eu ganhei esse cara quando tinha uns quatro anos, e ele era "gigante", quase da minha altura.

Esse sou eu, o escriba que tocou essa reportagem, com o Cachorrão, meu cão-almofada da marca Snif Snif. Eu ganhei esse cara quando tinha uns quatro anos, e ele era "gigante", quase da minha altura.

Foto: Gabriel Quintão

Eu ganhei o Peposo no meu aniversário de um ano. Como saí de casa muito cedo, para estudar em outra cidade, aos 17 anos, acabei me agarrando a algumas coisas que me traziam memórias: álbuns de família e objetos. Me mudei de casa três vezes, e esse cara foi quem me acompanhou todo esse tempo.
Quando era pequeno, eu carregava o cara para lá e para cá. A memória que ele me traz é da prateleira da minha primeira casa, onde ficavam os brinquedos. Eu me lembro da sensação de estar naquele canto e me lembro dos tempos de quando minha família era unificada. Hoje, cada um vive em um canto. Manter o Peposo é uma forma de aquilo continuar existindo.
Como eu sou diabética, meus pais me davam coelhos de pelúcia na páscoa, em vez de ovos de chocolate. O primeiro coelho que ganhei foi a Paulinha, quando eu tinha sete anos. Lembro que me senti menos triste por isso. Eu dormia com ela e a carregava para lá e para cá.
Ela foi comigo na minha primeira viagem de avião, e eu lembro que fiquei muito brava porque a colocaram na máquina de raio-X. A minha coelha! Quando eu ficava brava, eu colocava a cara na barriga dela e gritava. Ela é muito boa para isso.
Eu ainda arrumo a cama com o meu urso Mário do lado. Ele tem o espaço dele. Quando eu era pequena, eu tinha uma prateleira cheia de bichos, mas sempre escolhia o Mário para dormir junto. Aos poucos, fui me desfazendo dos brinquedos, mas nunca consegui doá-lo. Ele já está todo sujo e velho, acho que nenhuma criança quereria ele hoje.
Eu ganhei o Mário de um tio-avô, aos cinco anos, quando minha irmã nasceu. Na época, eu gostei porque ele era um urso "grande" (para o meu tamanho na época). Ele era minha companhia de casa. Minha irmã tinha muito ciúme dele, e pegava escondida. Quando ela ganhou uma ursinha, deu o nome de Maria.
Eu ganhei o Lobo Mau do meu pai quando eu tinha oito anos, e foi paixão à primeira vista. Eu era muito fã de bichos de pelúcia, mas até então não tinha um "oficial". Ele tem o olho torto e é todo loucão. Meu pai comprou em promoção, acho que ele era daqueles bichinhos que ninguém quer comprar.
Eu levava o Lobinho para todos os lugares, colocava roupinhas, ficava com ele quando ia para a consulta do médico. Meu irmão o sequestrava quando queria me chantagear. Hoje, acho que o Lobo Mau é transexual. Além de ser roxo, ele têm olhos com esses cílios grandes de boneca. Como eu sempre fui estranha, acho que gostei dele por isso também.
O que mais lembro da minha infância é estar com o meu pai, a minha mãe e essa boneca da Mônica, com o Phil Collins tocando no toca-discos. Eu a ganhei com 3 anos e, desde então, nos tornamos inseparáveis. Eu brincava de criar historinhas com ela e interpretava as músicas dos filmes da Turma da Mônica.
Quando estava na 2ª série, sofri muito quando a levei para a escola. Os meninos pegaram a boneca e diziam que iam jogá-la fora. Eu nem sei dizer quantas vezes essa boneca foi importante para mim. Ela sempre participou de tudo que eu fiz. Eu sou apaixonada pela Turma da Mônica até hoje, e passei isso para minha filha, que hoje tem oito anos.
Minha mãe comprou esse lençol da Mônica motoqueira quando eu tinha uns seis anos. Fomos a uma loja em busca de cortinas para o meu quarto, mas não gostei de nenhuma. Eu gostei é dos lençóis desenhados, e levamos três para casa. Recentemente, minha mãe quis jogar fora, mas eu não deixei. Escondi para ela não pegar.
Eu só dormia com esse lençol porque ele é fresco e confortável. Com o tempo, acabei criando carinho por ele. Quando era pequeno, eu era fascinado pela Turma da Mônica. Tinha muitos gibis e fui alfabetizado com o Almanacão de Férias.
Esse sou eu, o escriba que tocou essa reportagem, com o Cachorrão, meu cão-almofada da marca Snif Snif. Eu ganhei esse cara quando tinha uns quatro anos, e ele era "gigante", quase da minha altura.
Eu "voava" pela casa com o Cachorrão, fingia que ele era o dragão do filme História Sem Fim. Meu irmão tinha um cachorro igual, mas branco, e a gente saía correndo, montado nos cachorros. Eu também inventava umas aventuras com ele e outros bichos de pelúcia que a gente tinha.